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As forças progressistas no Brasil conseguem se recompor até as eleições de 2020?

A saída da prisão de Lula acrescenta um elemento importante para o espaço das forças progressistas brasileiras, melhorando suas condições de desenvolvimento. O peso político de sua figura, certamente suas intervenções alteram a trajetória que vem evidenciando este sector político desde o fraudulento julgamento político de Dilma Rousseff, e que se expressou a eleição nas municipais desse mesmo 2016 e as eleições presidenciais do ano passado–, que deram a vitória a Jair Bolsonaro-.

Trata-Se de um espaço político que, sob uma constante pressão mediática, judicial e político-ideológica, já foram realizadas duas tendências de respostas em sua sobrevivência: por um lado, as tendências centrífugas e fragmentadoras, com declarações críticas e estiver usando linguagem ofensiva de alguns dirigentes contra os outros (sendo o caso mais notório da bateria de questionamentos de Ciro Gomes -Partido Democrático Trabalhista, PDT – ao próprio Lula), impugnativo comportamento, interpretações passadas ou posicionamentos frente ao próprio Governo de Bolsonaro.

Por outro lado, práticas centípedas e convergentes para a unidade do espaço, tentando homogeneizar olhares, ações e posturas, tentando aumentar a rejeição do atual Governo e seus suportes mediáticos, institucionais e geopolíticos. É uma versão necessária para a cidadania em geral e pode ser observada, sobretudo, no âmbito parlamentar e em certas rotinas de reuniões regulares entre os presidentes do Partido dos Trabalhadores (PT), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PDT e PSB (Partido Socialista Brasileiro). Haverá que ver que a tendência se impõe.

As forças progressistas e a competência municipal de 2020

É importante notar que nem toda a oposição ao Governo de Bolsonaro tem um caráter progressista. Há partidos que no Congresso (ou fora dele) são contrários a questões pontuais do Governo, mais com a intenção de pressionar por maiores probabilidades de poder que, para instalar uma determinada perspectiva de resolução dos problemas públicos. Neste sentido, o espaço estritamente político do partido progressista estaria integrado –tomando como critério a representação parlamentar federal – PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o PSOL, o PDT, o PSB e a Rede Sustentabilidade (REDE), forças que, nesse âmbito, e em outras arenas de luta política e social, se aproximam, se afastam, se juntam, se criticam. Não é um bloco muito grande: com alguns agregados prestados, o número pode chegar a 100 deputados (de 513), o que fala às claras, a posição minoritária que tem hoje em dia o espaço. No entanto, nos últimos meses, uma proposta de alteração da legislação tributária em vigor os aproximou de outra forma, o que permite uma consideração de conjunto.

Os recursos institucionais são sempre um parâmetro de medição e comparação, a questão é que cada um dos partidos que faz valer o interior do espaço de oposição progressista. Por exemplo, o PSB, que também não foi um exemplo de conduta moral durante o impeachment de Dilma –houve parlamentares que votaram a favor, como o PDT é o partido do espaço, a respeito do poder territorial, que maior número de prefeitos tem -entre as 100 cidades com mais de 270 mil habitantes. Claro, é contra o resto em um contexto objetivamente muito desfavorável: em tal lista (municípios por jogo), o PSB está em terceiro, com 9 cidades, bem atrás das 28 que administra o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e 16 a cargo do MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

A grande maioria dessas 100 cidades são governadas por partidos conservadores e dos políticos de direita que, em sua maioria, procuram a reeleição no ano que vem.O PT, por exemplo, não governa nenhuma cidade desse resumo, o que é um elemento menor para pensar sobre o grau de expectativa de sua performance eleitoral futura. Isso a consequência de vários motivos, entre eles a forma como organizou o próprio PT e sua coligação governamental quando estava no poder: para congraçar-se com os seus aliados de então –boa parte dos quais terminaram transicionado – preferiu, por exemplo, nas municipais de 2012, deixar que as candidaturas fossem assumidas por “parceiros” e não por próprios, iniciando a partir de então um colapso municipalista do jogo –justamente “local” tinha sido um selo de crescimento histórico do PT desde a sua fundação em 1980 – na qual os números atuais são o seu efeito manifesto. Alguns discursos de Lula nos últimos dias, e de outros líderes em recente 7º Congresso Nacional do partido, dão algumas pistas sobre a importância que lhe outorga o PT a recuperar essa “capilaridade municipal”, para poder projetar melhor a “polarização” com Bolsonaro.

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