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Virada de ano, ou de vida?

- E aí Betão, já decidiu onde vai passar as festas de fim de ano?
- É lógico! Eu e a Soninha começamos a juntar uma grana desde Julho! Vamos pra Pipa. E você?
- Ainda não decidi. Mas vou “enchar a lata” pra esquecer esse ano. 2000 tem que ser melhor. Por falar nisso, já tem algum plano de trabalho pra esse novo ano?
- Sabe que eu ainda nem parei pra pensar nisso. Mas deixa, quando chegar lá a gente tira de letra.
Estamos numa virada de ano importante. Apesar de não ser, ainda, a virada do século e do milênio, que só acontecem de 2000 para 2001, muita gente encarou essa festa como histórica. Algum problema? De jeito nenhum. O que me assusta é que vejo muita gente gastando mais tempo planejando a festa de Natal e de Ano Novo, do que planejando sua própria vida. Se pensarmos bem, a maior parte de nós prefere administrar o passado no presente, do que projetar o futuro, agora. Boa parte do insucesso de muitas carreiras não está na falta de capital, ou de oportunidades, mas na ausência de atitude e paixão. Ninguém irá progredir profissionalmente ou pessoalmente se não cultivar uma mente inquieta e inovadora, e comprometida com a realização, com o resultado. Pense: você jamais crescerá, se não for além do que já fez, do que já alcançou. A preocupação, então, não deve ser onde você estar, mas qual a direção que está tomando. E se você não está pensando sobre isso, não está indo a lugar algum.
Isso tudo é muito bonito no papel, e muita gente concorda e balança a cabeça. Mas quando chega na hora de concretizar, preferem continuar sendo conduzidos pelas circunstâncias, ignorando que seus futuros serão determinados pelas decisões tomadas hoje, agora. É ver a vida com passividade, como coadjuvante. Pessoas que continuam preocupadas em ser algo (corretor, advogado, engenheiro, médico etc.), e esquecem de ser alguém. Pense: você não será lembrado pelo o que era, mas por quem era. Não são os seus títulos que ficarão marcados na sua história de vida, mas, sim, suas conquistas, suas realizações, sua contribuição à sociedade.
E então, o que fazer? A primeira atitude é mental, de auto-análise. É admitir que se você continuar assim, como está, obterá os mesmos resultados que já vem alcançando, e não aqueles que você sonha. A próxima é avaliar quem você é, nas várias áreas de sua vida. Costumo separar nossas vidas em 7 áreas, descritas por ordem de prioridade: Espírito, família, mente, corpo, social, profissão, finanças – “ei, meu bolso vem em primeiro”; depois eu explico por que não. A qualidade de vida está em equilibrar, harmonizar estas 7 áreas. Em cada uma dessas áreas você deve traçar um diagnóstico pessoal, e definir um plano, com objetivos e metas bem definidos. Pense: as metas motivam. É disso que você pode estar precisando. Mas, lembre-se: nunca defina um objetivo para algo que você ainda não se convenceu que é um problema. Ninguém se compromete com a solução de um problema que ainda não admitiu existir. Por isso é que muitas dietas, casamentos, decisões de parar de fumar, não dão certo. Se necessário, convide algum(a) grande amigo(a) ou confidente, para ajudá-lo nessas análise, contribuindo com uma perspectiva exterior. Nem sempre o que pensamos ser, é o que os outros percebem que somos. Vamos, rapidamente, para cada uma das áreas.
1) Espírito. “De que lhe vale ganhar o mundo, e perder a alma”. Se nossas expectativas se resumem à esta vida, vivemos uma angústia, porque amanhã poderemos não mais estarmos aqui, e sentirmos frustração diante do não realizado. Como está sua relação com Deus. Com o Criador. Para você, Jesus é só um cenário de fundo do Natal, ou a grande razão da celebração? Para onde você vai após esta vida? Acaba aqui? Faz sentido, se for assim?
2) Família. Que prioridade ela tem recebido em sua vida? Você continua esperando um casamento melhor, ou tomou a decisão que ele será melhor? Acorda, e a primeira coisa que faz é dar um bom-dia e um beijo no(a) esposo(a)? Seus filhos são suas jóias, tesouros, presentes de Deus para sua existência, para o exercício do amor. É inútil construir um império, se você não consegue formar alguém que honre e perpetue o seu nome – único patrimônio concreto que você deixará nesta terra. 
3) Mente. Você preenche sua cabeça, sua mente, com pensamentos e visões que, com certeza, não determinam o que irá acontecer em sua vida, mas influem diretamente na forma como você percebe sua realidade. Por que duas pessoas que estão vivendo dificuldades tão parecidas, se comportam com estados de espírito tão distintos, reagem e encaram a vida com atitudes tão opostas? Cultive bons e nobres pensamentos em sua mente, e eu lhe garanto: você começará a ver coisas que uma mente negativa não consegue enxergar. Lembre-se: os pensamentos precedem as atitudes. Se coisas ruins estão lhe acontecendo em demasiado, é porque você está projetando-as em sua mente. Limpe-a, purifique-a, e, aí, alimente-a.
4) Corpo. Não lhe cabe determinar quantos anos de vida ainda terá. Mas é certo que as escolhas que você está fazendo hoje podem ajudar a abreviar sua existência. Cultivar um corpo sadio é uma das poucas atitudes que você toma, e não precisa esperar muito para colher os frutos. É imediato.
5) Social. Nós não vivemos sós. Somos gregários, vivemos em comunidade. Nesta área existem dois aspectos a serem analisados. O primeiro é, quem você está escolhendo para compor seu grupo mais íntimo, que, não necessariamente, é sua família ou colegas de trabalho. Eu não os conheço, mas você tem a cara deles, goste ou não. O segundo aspecto é, qual sua responsabilidade perante o grande grupo, a sociedade. Quer você queira ou não, as atitudes coletivas são forjadas a partir das atitudes individuais. Assim, não cabe perguntar quem vai mudar o mundo, mas sim, como você está transformando-o.
6) Profissão. Você é apaixonado pelo que faz? Você consegue se divertir, ter prazer no trabalho que realiza? Já conseguiu se apaixonar pela segunda-feira, ou continua achando que ela é um complô contra o seu direito de ser feliz? Se as respostas forem não, faça, o mais rápido possível, um teste vocacional, e mude de ramo e de rumo. O tempo não é reciclável.
7) Finanças. Você pode estar dizendo: “até que enfim”. A questão é que, se todas as outras áreas acima não forem trabalhadas, você pode até ganhar dinheiro, mas o desperdiçará com a(o) amante que escolheu sustentar, com a saúde que deixou debilitar, com os supérfluos que não teve controle emocional para evitar. O dinheiro é um excelente escravo, e um péssimo patrão. Por isso, se quiser ganhar mais, comece por diminuir sua cobiça, e aumentar seu controle. E só se consegue isso, trabalhando as áreas acima. 
Admitindo que tudo já exposto vale para você e para mim, cabe questionar: e agora? Tomemos uma atitude. Ajamos. Nós somos o maestro de nossas vidas. Deus nos dá os instrumentos, mas somos nós que teremos que tocá-los. E lembremos: Deus, jamais, nos colocará em algum lugar onde não haja possibilidade de crescimento pessoal. Resta saber se estamos buscando-o, e comprometendo-se com ele. 
SUCESSO absoluto, bênçãos e um Bom Natal, e Feliz Ano Novo.

Paulo Angelim 
Consultor em Marketing

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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