MARKETING - Artigos

Prêmio é bom e eu gosto
(OPOVO, Abril/2002)

Prêmio é bom, e eu gosto!

Vou colocar minha colher na questão dos prêmios no meio publicitário, sem medo de deixar engrossar o caldo. É lógico que o fim principal de uma agência não é ganhar prêmios, afinal, basta-lhe a competição diária de quem vence a preferência dos consumidores: seu cliente ou os concorrentes dele. Mas, não vejo uma razão para dizer que agência não deve ligar para prêmio. Se prêmio fosse ruim, os publicitários mandavam devolver os que conquistam. Mas não, “engomam” os ternos ou blazers, e preparam um discurso para recebê-los. Prêmio publicitário é coroamento, é reconhecimento de boa produção criativa. E, até que se prove o contrário, criatividade ainda é o atributo que diferencia uma boa e competitiva peça publicitária de um mero arquivo de Corel Draw ou Photoshop. O reconhecimento público de “CRIATIVA” dado a uma agência é a validação de que seu trabalho é destacado, melhor. Negar isso é aceitar que se pode rasgar o capítulo da criatividade na propaganda. Por outro lado, criatividade sem resultado é devaneio. E é aí que há espaço para questionarmos o atual modelo dos prêmios. Na minha opinião, é imperativo abolir a necessidade de inscrever peças publicitárias como condição para se concorrer aos inúmeros prêmios existentes neste segmento. As peças deveriam ser coletadas na mídia. Numa analogia de futebol, era como se o treinador inscrevesse os atletas que iriam competir para concorrerem ao prêmio de “melhor em campo”. Nessa absurda hipótese, é óbvio que esses jogadores passariam a jogar para os jurados, e não para o time, muito menos para a platéia (mercado). Pois é a mesma coisa com as peças “inscritas”. O problema reside na inscrição de peças criativas que jamais foram veiculadas, ou que não geraram resultados positivos para seus clientes. Isso é nefasto. Pode até ser criativa, mas passa longe da eficiência empresarial. E, agência é empresa, não é instituto de Belas Artes. Infelizmente, tem muito prêmio por aí que está mais parecido com a Bienal de Arte de São Paulo. Ou seja, não interessa se a peça vende, interessa que seja criativa. É exatamente isso que dá margem, e com razão, para muitos publicitários dizerem que não ligam para ganhar prêmios. Ora, se a eliminação da obrigatoriedade da inscrição de peças para que uma agência concorra a prêmios publicitários parece ser tão lógica, por que é quase inimaginável? Por algumas razões: Primeiro, a indústria do prêmio receberia um duro golpe em suas receitas. Segundo, nessa nova condição, pequenas e grandes agências estariam niveladas, competindo “pau-a-pau”, valendo somente o que realmente deveria contar: qual é a mais criativa. Por fim, ficaria mais “justo”, e isso é absolutamente incompatível quando se estão em jogo o ego, a vaidade, e o poder. Fizéssemos isso e ficaria muito mais fácil para os publicitários afirmarem: “Prêmio é bom, e eu gosto!”

Paulo Angelim
Consultor e palestrante nacional em Marketing, Vendas e Crescimento Pessoal

pauloangelim@uol.com.br

 

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

Artigo anterior  Página anterior  Artigo seguinte