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ARTIGO: (novembro/04)

Paulo Angelim, autor de "Desenvolvimento Profissional: Alcance o sucesso sem vender a alma", "Por quê eu não pensei nisso antes?" e "Morra e Mude"
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Sua mente cansa?
Por Paulo Angelim  

Acho engraçado. Certas pessoas que me conhecem e que sabem que corro 5 dias na semana, que malho e nado nos outros dois dias, e ficam surpresas quando me vêem com a respiração cansada após subir rapidamente alguns lances de escada. Dizem elas: “mas você não é um atleta? Como é que já está cansado?”. Veja bem, o fato de alguém ser atleta não a isenta de sofrer as conseqüências do trabalho intenso, do esforço desmedido, ou do stress momentâneo. A diferença entre ela e alguém sedentário está no fato de que o atleta não só leva mais tempo para chegar ao esgotamento, como leva muito menos tempo para voltar ao seu estado normal de batimentos. Ou seja, ele custa mais para chegar à fadiga, e sai mais rápido dela. É isso que o torna melhor preparado para enfrentar o mundo, os embates, os desafios. Mas onde isso se encaixa com você, que talvez nem seja atleta? 

Da mesma forma que no caso do atleta, todos nós que vivemos o stress e as tensões do mundo profissional, corporativo ou não, também somos submetidos às circunstâncias que testam nossa resistência mental. Os medos das mudanças, a ansiedade com o futuro, as frustrações das derrotas, ou ainda os percalços vividos são responsáveis por exercer uma pressão negativa enorme sobre nossas mentes. E mentes sedentárias, frágeis, débeis estão muito mais susceptíveis a “fadigarem”. É isso mesmo, a mente fadiga quando imerge em desesperança, sentimento de derrota, baixa auto-estima etc. Mesmo as mentes que vivem se “exercitando” nas barras dos pensamentos positivos, ou nas esteiras da fé, também sofrem a ação contrária das circunstâncias negativas. 

Tem gente que se assusta quando digo que, às vezes, fico ansioso, com medo, ou um pouco para baixo, sorumbático, por conta de problemas que me atingem. Percebo claramente, a partir da conversa que inicio logo em seguida, que eles imaginam que por eu escrever e palestrar sobre auto-motivação, sobre pensamento positivo, sobre fé, não sou atingido pelas implacáveis tempestades da vida. Ora, atleta também cansa. Como já expliquei no caso deles, a diferença entre os auto-motivados e os mentalmente sedentários está no fato que todos nós que “treinamos” nossas mentes e corações resistimos mais à essas fadigas, e também saímos desses picos negativos, de mente ofegante e carente de oxigênio espiritual e motivacional, mais rapidamente. 

Infelizmente, existem por aí alguns gurus palestrantes e autores de receitas fáceis vendendo a idéia de que podemos blindar a mente. Sim, de fato existe uma forma de você ficar completamente imune aos estímulos negativos da vida: MORRENDO. E não falo da morte lúdica, comportamental. Falo da morte física, mesmo. A verdade é que, enquanto estivermos vivos, teremos que continuamente trabalhar nosso espírito e nossa mente para não esvairmos diante dos problemas, dos desafios, das ameaças. E ainda assim, com toda a preparação, com todo o empenho em reforçar a musculatura do espírito e da mente, estaremos sujeitos a fadigar. O apóstolo Paulo disse aos coríntios: “Aquele que pensa estar em pé, veja que não caia”. Ou seja, a queda é um risco eminente e inerente à própria existência. O que ele alerta é que devemos cuidar. Cuidar para que estejamos preparados o suficiente para não cairmos. Mas sabendo que a queda é factível. Ele mesmo sofreu, gemeu e caiu. Mas sua fé o fez levantar. Veja o trecho a seguir: 

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;... E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte... Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” II Co 4:8-16 

Quer saber de uma coisa: a iminência de queda é muito bom. É ela que nos faz vigilantes e diligentes. O excesso de segurança nos leva à acomodação, estagnação. Pergunte isso a 90% dos homens que casaram mais de 5 anos. Simplesmente não encontram mais motivos para se cuidar, uma vez que supostamente “já conquistaram” o que precisavam. Bem ou mal, o mundo está mudando e as digníssimas donas de casa estão saindo de casa, se lançando ao mundo, conquistando seus espaços e, quando eles menos esperam, os estagnados e maridos seguros recebem um rotundo “adios” de suas saradas e descoladas esposas. Pelo amor de Deus, não estou incentivando isso. Estou apenas alertando.  

Enfim, alimentar a idéia de que auto-motivados não sofrem é pura ilusão. Sofremos sim, mas certamente sofremos menos. Não necessariamente em intensidade, mas em duração. Como diz meu amigo e super-palestrante Cláudio Diogo: Isso passa. É isso mesmo, tudo na terra passa (só não as coisas do alto). A alegria passa. A tristeza passa. Até uva passa (brincadeira). Só que para os auto-motivados, verdadeiros atletas da mente e do espírito, a tristeza passa, mas passa mais rápido. Xô tristeza!

Bênçãos e sucesso!

Paulo Angelim
www.pauloangelim.com.br

Edição de Maio da revista VOCÊ S.A., No. 71